sábado, 3 de agosto de 2013

Diagnóstico genético pré–implantacional (PDG)

Quando fui até a clínica conversar sobre as condições do tratamento de fertilização e aspectos contratuais, foi oferecida a possibilidade de fazer o PGD.
Diagnóstico Genético Pré-implantacional, mais conhecido no Brasil como biópsia do embrião ou pela sigla PGD (Preimplantation Genetic Diagnosis) é um procedimento através do qual é realizada uma pequena biópsia que permite  identificar os embriões portadores de desordens genéticas e transferir para o útero materno apenas os embriões saudáveis.
O objetivo final é diagnosticar alterações cromossômicas antes da implantação no útero, para se obter uma gravidez bem sucedida e, sobretudo, o nascimento de uma criança perfeita. Assim, casais com alto risco para certas doenças serão beneficiados com aumentar os índices de êxito das fertilizações in vitro. 

Este procedimento foi inicialmente utilizado na Inglaterra no final dos anos 80 e a primeira criança nascida depois de utilizar esta técnica ocorreu em 1989.
O PGD consiste em abertura da zona pelúcida do embrião, utilizando técnicas de micromanipulação de gametas, com a retirada de um ou dois blastômeros (nome dado a cada uma das células do embrião). 

Antes, a análise só era possível no 3º dia de desenvolvimento do embrião após a fecundação (estágio de 6 a 10 células). Verificou-se que sendo feita no 5º dia (blastocisto), momento em que o embrião passa a ser chamado de blastocisto, a taxa de gravidez sobe significativamente.
É feita a retirada de uma ou mais células para análise genética. Utiliza-se um aparelho de laser  para realizar o procedimento e assim diminuir muito os possíveis danos causados ao embrião durante o procedimento da biópsia.

O diagnóstico é realizado pelas técnicas de FISH (hibridização “in situ” com fluorescência) que avalia os cromossomos XY, 13, 15, 16, 17, 18, 21 e 22 para trissomias (três cromossomos do mesmo tipo), translocações (defeitos dos cromossomos) e determinação de sexo (podendo evitar doenças ligadas ao sexo). Esse diagnóstico é estabelecido em 24 hrs e os embriões selecionados (sem defeito) são transferidos ou criopreservados.


As indicações para PGD são:

1) Idade materna avançada (mulheres com mais de 35 anos). Estima-se que mulheres que dão à luz com 35 anos tem uma chance de 1/384 de serem portadoras de um bebê com Síndrome de Down.
2) Doenças ligadas ao cromossomo X. Por exemplo, distrofia muscular de Duchenne e hemofilia.
3) Antecedentes de doenças gênicas
4) Progenitor com translocação balanceada. Homens e/ou mulheres que, mesmo sendo normais, podem transmitir doenças cromossômicas aos seus filhos.
5) Casais que já realizaram múltiplos ciclos de FIV sem sucesso.
6) Mulheres que tiveram mais de dois abortos devido a defeitos genéticos.

Quais doenças podem ser diagnosticadas pelo PGD:
• Distrofia muscular de Duchenne e Becker
• Doença de Alzheimer
• Hemofilia A e B
• Síndrome do cromossomo X frágil
• Retinose pigmentar
• Anemia falciforme
• Doença de Tay Sach
• Aneuploidias XY, 13, 15, 16, 17, 18, 21, 22
• Fibrose cística
• Fenilcetonúria
• Feminização testicular
• outras

Taxa de sucesso do PGD:

Há uma taxa de 90% de sucesso e em alguns casos ainda maior em alguns testes de PGD. Um erro de 10%, que pode ser falso positivo ou negativo. Há ainda a possibilidade que diferentes células (blastômeros) do mesmo embrião difiram no número de cromossomos (mozaico). Assim, podemos testar uma das células por PGD como normal, quando outras células do mesmo embrião sejam anormais.


Vejamos cada fase que o diagnóstico pode ser feito, assim como suas vantagens e desvantagens.

a) BIÓPSIA DO PRIMEIRO CORPÚSCULO POLAR
O oócito é fixado por meio de uma “holding” e uma abertura é feita na zona pelúcida no outro lado do oócito usando uma micropipeta com solução de Tyrode ou mesmo com o laser.
A abertura é feita justamente na largura pela qual seja possível a aspiração do corpúsculo polar por uma micropipeta um pouco mais calibrosa. Com relação ao genótipo, o corpúsculo polar é um “blue print” do oócito.
Como principais desvantagens apresenta:
- exame só oferece a possibilidade de diagnóstico de desordens genéticas maternas
- somente uma célula é examinada
- possibilidade de se não detectar a anormalidade genética devido ao “crossing over” que ocorre na meiose

b) BIÓPSIA NO ESTÁGIO DE 4 A 8 CÉLULAS
Tem sido mostrado que é possível a retirada de 1 ou 2 células no estágio de 4 a 8 células, sem se ter influência negativa sobre o desenvolvimento embrionário. As células são independentes e totipotentes, nessa fase.
Após a fixação do pré-embrião com “holding”, uma micropipeta é usada para se fazer uma abertura com a solução de Tyrode ou laser na zona pelúcida (este orifício é maior do que o produzida na biópsia de corpúsculo polar). Usando uma micropipeta mais calibrosa, cerca de 2/3 do tamanho do blastômero, uma ou duas células são removidas do pré-embrião.

c) BIÓPSIA NO ESTÁGIO DE BLASTOCISTO 
É uma forma de biópsia tardia no estágio de pré-implantação. Neste estágio, nos podemos diferenciar dois tipos celulares os embrioblastos e os trofoblastos, dois quais a placenta e outros anexos serão formados, mais tarde.
Após a fixação do blastocisto com a “holding”, uma abertura grande é feita na zona pelúcida de um blastocisto mais desenvolvido, usando uma agulha cortante de vidro (mais de ¼ da circunferência). Após 18 a 24 horas alguns dos blastocistos eliminarão, por extravasamento, algumas células que serão as analisadas.
Neste estágio de desenvolvimento, existem cerca de 100 células divididas entre embrioblasto e trofoblasto. Acredita-se que 10 células ser removidas sem afetar o futuro desenvolvimento.
Pela remoção das células do trofoblasto, das quais a placenta se originará, o embrião não é afetado, fornecendo, provavelmente, melhores chances de desenvolvimento. Inexplicavelmente o maior problema para a biópsia tardia é que as chances de implantação são bem menores.

FISH
O avanço mais importante para a identificação do sexo em embriões humanos foi a introdução de técnicas de FISH, que utiliza sondas de DNA marcadas com haptenos fluorescentes frente a seqüências específicas dos cromossomos sexuais, que se desejam identificar; mais tarde, sua aplicação se estendeu a outros autossomos responsáveis pelas principais aneuploidias.
 Com o FISH, fragmentos específicos de DNA podem ser modificados quimicamente ou enzimaticamente e, desta forma, uma sonda de DNA é formada. Quando o FISH foi introduzido, peças específicas de DNA forma marcadas radiativamente, mas o refinamento do método tem feito possível o uso de certas moléculas ou substâncias fluorescentes que marquem o DNA. Fragmentos específicos são complementares ao alvejado no DNA. Um híbrido é formado, sendo possível identificar o fragmento alvo.

PCR
É uma outra maneira de detectar seqüências do DNA da célula. É um método de grande importância para o PGD. Pela modificação de seqüências específicas do DNA de cromossomos sexuais, a determinação sexual tem sido usada com sucesso para diagnosticar várias desordens ligadas ao X (incluindo retardamento mental ligado ao X, síndrome de Lesch-Nyhan, distrofia muscular de Duchenne). Outras anormalidades não ligadas ao sexo podem ser também determinadas pelo PCR, como fibrose cística, hemofilia A e deficiência de alfa-antitripsina.
O PCR consiste na amplificação de uma seqüência de DNA, que permite obter um elevado número de cópias dessa seqüência, possibilitando sua mediante eletroforese. Inconveniente: pode produzir erros diagnósticos por falha de amplificação do DNA ou por contaminação com DNA exógeno (2% a 6%). Sua maior aplicação no PGD é a identificação de mutações nas enfermidades relacionadas com um único gene, quando se conhece sua sequência, como na mutação DF-508 da fibrose cística, a beta-talassemia, a anemia falciforme, a doença hemolítica e a doença de Tay-Sachs. - See more at:


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